Nota de repúdio

Caros associados,

Gostaríamos de esclarecer algumas informações veiculadas e expostas de uma forma muito simplista e defectiva, que colocam em dúvida os já abundantemente comprovados benefícios da Acupuntura, citadas no artigo “OMS endossa Medicina Tradicional Chinesa e coloca saúde mundial em risco”, publicado do jornal Gazeta do Povo, em 12 de novembro de 2018, de autoria de Carlos Orsi.

Na qualidade de representantes oficiais da Acupuntura como Especialidade Médica no Brasil, não podemos deixar de nos posicionar e elucidar a população em relação à forma superficial e equivocada com que nossa área de exercício da medicina foi tratada no artigo.

A, assim chamada, “Medicina Tradicional Chinesa”, que data de mais de três mil anos e que hoje é amplamente difundida em todo o mundo, engloba várias técnicas e práticas, de naturezas díspares. O autor até tem boas razões quando menciona que algumas delas, como a Farmacoterapia Chinesa, Ventosaterapia, Qi Gong, entre outras, apresentam áreas de sombra e de falta de pesquisa adequada, ou de contradições terapêuticas (como é o caso de substâncias naturalmente tóxicas e contaminações em produtos farmacêuticos tradicionais chineses).

Porém, posso afirmar categoricamente – e cientificamente -, que a Acupuntura apresenta comprovação sólida, sim, de seus efeitos, devidamente registrados em teses de mestrado, doutorado e livre docência, trabalhos científicos premiados e outros tantos publicados em importantes revistas indexadas. Sendo, inclusive, uma especialidade médica enfaticamente reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) desde 1995.

Abaixo, gostaria de compartilhar um artigo em que a história de sucesso dessa especialidade médica oriunda da MTC é trazida à luz de fatos cientificamente comprovados, unindo tradição e ciência:

 

Acupuntura médica: uma história de sucesso

A Acupuntura é a especialidade médica que mais cresce no Brasil. Ao todo, mais de 10 mil médicos das mais variadas especialidades: neurologia, ortopedia, reumatologia, clínica médica, entre outras, seduzidos pela sua grande eficácia clínica, resolveram adotá-la como sua nova especialidade, somados àqueles que a adotam como especialidade única ou principal. Prestando enorme serviço ao SUS há quase três décadas, inserida no ensino e pesquisa de inúmeras universidades, presente como terapia de destaque na grande maioria dos serviços de dor do mundo, fazendo parte de programas de residência médica em um bom número de importantes instituições oficiais, a Acupuntura se configura hoje em um dos ramos de atuação médica de maior credibilidade e respeitabilidade do nosso país.

Originária da China, com um passado de pelo menos 3.000 anos, a Acupuntura literalmente conquistou o mundo,  conquista essa embasada no que de mais notório existe em uma prática médica: resultados clínicos.  Ou seja, o que a levou a ser estudada, pesquisada, vasculhada, despertando a atenção do mundo sobre ela, foi especificamente a sua eficácia, além do espanto diante dos resultados obtidos. Isso não aconteceu com nenhuma outra especialidade ou prática médica conhecida.

Diante dessa “curiosidade”, respeitáveis institutos de pesquisa de todo o mundo se debruçaram a estudar os mecanismos de ação da Acupuntura e sua área de atuação. Só nos últimos 20 anos foram publicados mais de sete mil trabalhos relacionados à Acupuntura em revistas indexadas e de alta qualidade. Neste contexto, o Brasil é o décimo segundo pais que mais publica pesquisas com Acupuntura no mundo e é o único país da América Latina que está na lista dos 20 países que têm maior produção nesta área. Obviamente, existem estudos que merecem credibilidade e outros que não apresentam resultados significativos / confiáveis.

Especificamente sobre os mecanismos de ação da Acupuntura, existe hoje uma vasta literatura relacionando estudos dos últimos 40 anos, pelo menos. Graças a essas pesquisas realizadas tanto na China como no Ocidente, os efeitos da Acupuntura vêm sendo desvendados. Seu mecanismo de ação tem sido demonstrado à luz da ciência atual, tendo bases fisiológicas. A inserção da agulha de Acupuntura estimula terminações nervosas existentes na pele e nos tecidos subjacentes, principalmente nos músculos. A “mensagem” gerada por esses estímulos segue pelos nervos periféricos até o sistema nervoso central (medula e cérebro). Aí, deflagra a liberação de diversas substâncias químicas conhecidas como neurotransmissores, desencadeando uma série de efeitos importantes, tais como analgésico, anti-inflamatório e relaxante muscular, além de uma ação moduladora sobre as emoções, os sistemas endócrino e imunológico e sobre várias outras funções orgânicas.

Dentre todas as formas de estudo não intervencionistas, as de maior confiabilidade são as metanálises, que consistem em uma busca criteriosa e sistemática dos estudos sobre um determinado assunto. Dentre as bibliotecas virtuais de pesquisa, destaca-se a Cochrane, uma rede global independente de pesquisadores, profissionais, pacientes, cuidadores e pessoas interessadas em saúde de mais de 130 países, que trabalham juntas para produzir informações de saúde acessíveis e confiáveis, livres de patrocínio comercial e outros conflitos de interesse.

Existem, hoje, 44 revisões sistemáticas da Cochrane Collaboration sobre a Acupuntura. Várias mostram a existência de significativas evidências sobre o seu efeito: profilaxia da enxaqueca, dor lombar crônica, dor pélvica, náuseas e vômitos; outras pontuam evidências moderadas e algumas poucas caracterizaram efeitos menores da sua ação em determinadas situações clínicas. No entanto, nenhuma concluiu que a Acupuntura é ineficaz. Esses resultados se mostram ainda mais significativos se levarmos em consideração a enorme abrangência desses estudos relacionados à Acupuntura: neurologia, psiquiatria, dor, ginecologia, gastroenterologia, entre tantos outros.

Estudos, pesquisas, revisões, evidências, tudo isso é muito importante, faz parte do modelo ortodoxo atual. Mas, meus amigos, estamos falando de algo de tão grande importância, de tantos e tão importantes resultados, que, passados 3.000 anos, estamos nós médicos, jornalistas, pesquisadores, buscando decifrá-la em sua intimidade, tentando entender os melindres da sua eficácia e a beleza dos seus mecanismos.

Pensem nisso!

Dr. Fernando Genschow,

Presidente do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)

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