Jornal do CMBA: Entrevista com Dra. Maria Luisa Gaiga

Nesta entrevista, a Dra. Adriana Sabbatini – vice-presidente do CMBA- conversa com a Dra. Maria Luisa  Gaiga, uma das pioneiras da Acupuntura no estado de Goiás. A Dra. Mª Luisa é parte da história da Acupuntura no estado, participou do nascimento da Filiada de Goiás e é responsável pela formação de gerações de médicos Acupunturistas no estado.

Confira abaixo:

  • Inicialmente, qual foi a sua primeira especialidade e como surgiu a opção pela Acupuntura? Qual foi o motivo desta escolha?

Minha primeira opção foi Ginecologia e Obsterícia, mas ao passar na residência o serviço entrou em reforma. Então resolvi fazer clínica geral e posteriormente fui para a Reumatologia. Mas sempre achei que a medicina era muito setorial, e eu tinha uma visão holística do paciente.

Passei em concurso público do estado de São Paulo como sanitarista e no antigo INAMPS como clínica, e peguei chefia no serviço. Na realidade com isso parei de atender. Então minha colega me convidou para assistir a uma aula de acupuntura. Aceitei o convite. Era uma aula do Professor Ysao Yamamura.

Apaixonei-me pela aula inaugural do mestre Ysao, e nunca mais deixei de fazer acupuntura. Mesmo com toda dificuldade de estudo, sem livros, sem mapas e com xerox, fui em frente.

  • Conte-nos sobre o início da Acupuntura no estado de Goiás: como foi a vinda da Acupuntura para Goiás, quais as principais dificuldades encontradas e como esta especialidade foi se firmando no estado.

Mudando para Goiânia em 1988, trouxe o vínculo do antigo INAMPS e comecei como sanitarista, mas após anos sem fazer clínica, iniciei atendimento no Cais (Centro de Atendimento Integral à Saúde) e fui locada no Setor Pedro Ludovico.

Lá fui convidada para iniciar o serviço de acupuntura  em 1992,  no HMA- Hospital de Medicina Alternativa- atual CREMIC (Centro Estadual de Referência em Medicina Integrativa e Complementar), pela diretor Dra. Heloisa Helena Teixeira, pois já estava havendo atendimento com Fitoterapia Ayurvédica, em convênio com a Índia e o Governo do Estado de Goiás.

Ao me estabelecer em Goiânia fui convidada a assessorar o Dr. Ji You Guang, professor da Medicina Chinesa que após ficar anos nos EUA, se estabeleceu em Goiânia desde então. Veio a convite de um colega, para tratar o filho, e iniciamos o atendimento no Hospital das Clínicas, no serviço de Ortopedia, a convite do diretor  Dr. Mario da Paz.

Nessa época tínhamos o pai (não médico) do Dr. Paulo Yamada, muito conceituado e que fazia acupuntura, e passou o ensinamento a seu filho. Este então depois prestou a titulação. Surgiram outros médicos com o curso de Acupuntura, mas que acabaram não atendendo.

Naquela época não tínhamos aqui uma aceitação boa no meio médico, sempre pensando que era atendimento alternativo, sem dar valor a acupuntura médica, como hoje.

  • Como se deu a implantação da Acupuntura no SUS em Goiás? Como foram os anos de experiência no antigo HMA – Hospital de Medicina Alternativa (atual CREMIC – Centro Estadual de Referência em Medicina Integrativa e Complementar)?

Em 1992, iniciei o atendimento em acupuntura no HMA, com toda assistência necessária, e aos poucos fomos melhorando o serviço, o volume de pacientes crescendo e vi a necessidade de ampliar o serviço. Recebia colegas de outros cursos que foram fazer a prática no HMA, e assim fomos sendo reconhecidos como serviço em acupuntura do Estado.

Quando a acupuntura foi reconhecida como especialidade médica, resolvi fazer novamente o curso de formação com o objetivo de me aprimorar.  Em 1999, iniciei o curso, sob direção do SMBA, com Dr. Dirceu de Lavôr Sales na organização das aulas e outros professores vindo a Goiânia nos orientar. Após 1 ano e meio, foi preciso que eu, em comum acordo com Dr. Dirceu, assumisse também a coordenação do curso.

Desde então estou na coordenação dos cursos no estado, atualmente dividida com 4 outros colegas.

  • E o surgimento da filiada de Goiás? Quando você e os demais colegas da época sentiram que era chegada a hora?

Gradualmente, com os colegas se formando e recebendo a titulação sentimos a necessidade de fundar a filiada, para termos maior  reconhecimento e credibilidade junto às instituições médicas de Goiás.

Foi um trabalho conjunto dos colegas acupunturistas e isso foi fundamental para chegarmos ao reconhecimento que temos hoje.

  • Além de toda essa bagagem relatada, você ainda teve papel fundamental na formação de gerações de médicos Acupunturistas no estado. Como foi o surgimento das turmas de especialização?

Sim, meu papel sempre achei que seria importante no sentido de formarmos grupos coesos e com mesmo objetivo de atendimento holístico dos pacientes, assim como a MTC faz. E os colegas que se interessaram a fazer o curso tinham e tem essa mentalidade. Não foi fácil formar 4 turmas sendo coordenadora, dando aulas e provas, mas com a ajuda da nacional fomos superando e formando novos especialistas.

À medida que foram se formando, alguns colegas começaram a ser monitores e ajudar nas aulas práticas, que foram sempre no CREMIC (Centro Estadual de Referência em Medicina Integrativa e Complementar ).

Nos últimos cursos ampliamos o atendimento em outros serviços, sendo que atualmente, temos atendimento no SUS-CRER (Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação),  CTC- Centro de Trabalho Comunitário, (atendimento voluntário dos colegas), Brasília e Valparaíso. Somente no CREMIC, não conseguimos retorno com os alunos do curso, devido à pandemia.

O serviço de atendimento em acupuntura continua funcionando, com os médicos concursados.

  • O que significa a Acupuntura na sua vida?

Acho difícil explicar, pois a minha vida profissional foi toda dedicada a essa especialidade, significando uma paixão pela resolução dos incômodos, doenças, desequilíbrios, etc, dos pacientes , e sentindo que consigo realizar uma melhora, mesmo que relativa às vezes, mas sempre gratificante.

Aposentei no serviço público, mas continuo os atendimentos em minha clínica e na coordenação do curso, e também na diretoria do CMA-GO.

  • Como você vê o futuro da Acupuntura Médica no Brasil?

Vejo com otimismo, principalmente pela aceitação do meio médico, pois na época que vim para Goiânia em 1988, ninguém conhecia. Abri e fechei consultório várias vezes, mas hoje o reconhecimento foi ampliado a nível local e nacional.

Acredito que conseguimos vencer muitos obstáculos, com a união de todos os colegas das regionais, e acredito que devemos manter essa união, pois sem a ajuda e colaboração de todos será difícil. Hoje temos muitos colegas de várias especialidades médicas tendo interesse em se formar em acupuntura, divulgar trabalhos científicos e também de ampliar a integração dessas especialidades com acupuntura médica.

Isso é muito importante.

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