Anvisa alerta para o consumo de "ração humana"

Uma nota publicada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta terça-feira (7) alerta para o consumo das chamadas “rações humanas”. São produtos compostos por diferentes tipos de ingredientes ricos em fibras que prometem, em muitos casos, ajudar a pessoa a emagrecer. Não só a Anvisa desmente o fato, como aponta para os perigos do consumo da ração humana e afirma que vai regulamentá-la.

O grande problema das rações humanas é o baixo teor que contêm de nutrientes necessários a uma alimentação saudável. Segundo o órgão, as pessoas vêm substituindo refeições inteiras pelas rações na esperança de emagrecerem, o que piora sua qualidade de vida drasticamente. “A substituição de refeições sem a orientação de profissionais de saúde pode gerar danos que vão de uma simples carência de nutrientes até casos complexos de anemia”, afirma a diretora da Agência, Maria Cecília Brito.

As rações são geralmente compostas por mistura de diferentes cereais, farinhas, farelos, fibras e outros ingredientes, como: guaraná em pó, gelatina em pó, cacau em pó, levedo de cerveja, extrato de soja, linhaça, gergelim. Elas não contêm, portanto, quantidades satisfatórias de outros nutrientes básicos necessários como as proteínas e carboidratos, por exemplo, o que torna a substituição de uma refeição por seu uso perigoso.

“O consumo de produtos com alto teor de fibras, como misturas de cereais, farinhas e farelos, deve estar inserido no contexto de uma alimentação diversificada e saudável”, afirma Maria Cecília.

A diretora da Anvisa diz também que será elaborada uma regulamentação sobre esses produtos evitando a ideia de que se tratam de emagrecedores. “Vale destacar que não é permitida, na formulação de alimentos, a utilização de substâncias farmacológicas e fitoterápicas, tais como ginseng, ginkgo biloba e sene”, diz.

O mito das propriedades medicamentosas, terapêuticas e relativas a emagrecimento não poderão mais constar do rótulo ou do material publicitário das rações humanas. Para utilizar alegações de propriedades funcionais e ou de saúde, a empresa que desejar comercializar esses alimentos deve solicitar registro desses produtos à Anvisa. O cerco às rações humanas proibirá que os produtos sejam comercializados sem aprovação prévia da Anvisa. Principalmente aqueles que prometerem propriedades saudáveis. Nesses casos, a Anvisa testará a eficácia e segurança de cada composto, durante um período no qual sua comercialização ficará proibida. Apenas depois de conseguir o registro, o alimento poderá ser colocado à venda. As empresas que não cumprirem essas exigências estão sujeitas a pagar multas de até R$ 1,5 milhão.

Fonte: Revista Veja