Tai Chi Chuan pode trazer grandes benefícios

A respiração lenta acompanha os movimentos leves e, por alguns instantes, a mente vaga. O coração desacelera, o estresse e as preocupações do dia a dia fogem do pensamento. O exercício ajuda a relaxar, não tem limite de idade e, se for feito ao ar livre e em grupo, melhor ainda. A prática milenar do Tai Chi Chuan pode ser uma grande aliada da saúde. Estudos científicos conseguiram comprovar a eficácia da atividade para melhorar a circulação, regular a pressão arterial, ajudar no equilíbrio e prevenir a artrite. O tai chi chuan é considerado como uma arte marcial, usada por lutadores para ter consciência dos movimentos do corpo. O objetivo é meditar sem ficar parado. Os praticantes trabalham a respiração durante o exercício e a cada posição executada precisam encontrar o equilíbrio. O método é baseado na observação dos animais e no estudo da interação entre diversos elementos naturais.

A advogada Karen Schmidt, 58 anos, por exemplo, faz a atividade todos os dias e tenta convencer todo mundo a fazer o mesmo. Ela dá entrevista, mas, ao mesmo tempo, não quer perder nenhum dos movimentos. Vai e volta no gramado sem pressa para falar sobre como o tai chi mudou o ritmo da sua vida. “Sempre fui uma pessoa muito agitada e passei por uma transformação de 180 graus. Com o exercício, comecei a ficar mais tranquila e relaxada. Tinha problemas respiratórios e nos joelhos, mas aprendi a articulá-los correta e lentamente”, explica. E convida: “Vem praticar um pouquinho. Você vai ver como vai conseguir escrever o seu texto com muito mais convicção”.

Com um sorriso no rosto, uma saudação com a cabeça e olhar calmo, o médico e mestre Moo Shong Woo, no auge de seus 78 anos, é um dos maiores divulgadores da prática no Distrito Federal. Há 35 anos, ele ensina a arte milenar na entrequadra da 104/105 Norte, pontualmente, às 6h, diariamente. “O tai chi é indicado para curar todo o tipo de problema de saúde, porque trabalhamos o corpo, a mente e o espírito. É claro que sempre é bom consultarmos um médico, mas não existe contraindicação. Qualquer pessoa pode praticar, mas é preciso respeitar a individualidade: este sapato pode ser bom para mim, mas não para ele”, analisa.

De acordo com Francisca Scoralike, médica-clínica e geriátrica da Amil, para ter boa saúde e se livrar do estresse, atividade física é fundamental. O tai chi traz benefícios, como o fortalecimento muscular e a prática do alongamento. “Por ser um exercício que normalmente se pratica ao ar livre e que envolve concentração e melhora dos movimentos, é recomendado tanto para jovens quanto para adultos e idosos. É claro que cada indivíduo deve procurar o que mais lhe dá prazer, mas, em conjunto com uma boa alimentação e com outras atividades, pode ser uma boa escolha. Não é uma receita do bolo, mas faz parte do cardápio”, afirma a especialista.

Em qualquer lugar

Quando o sol chega, o professor de linguística Hildo Couto, 68 anos, deixa a sala de aula e as dezenas de alunos bem longe para respirar e inspirar ao ar livre. Com seis anos de prática, depois da aula do mestre Woo, ele coordena os movimentos de um novo grupo durante uma hora. “Eu tinha uma gastrite terrível, que não sarava nunca. Sempre caminhava por aqui e via o pessoal fazendo tai chi, até que um dia resolvi acompanhar. A dor desapareceu com o tempo — e o estresse também”, comenta. Para ele, a grande vantagem da prática é que pode ser feita em qualquer lugar, antes do trabalho, em casa, debaixo do chuveiro e até mesmo no corredor do avião.

As dores nas articulações de Maria Adelina Barbosa de Lima, 57 anos, sumiram. A postura está de miss e a respiração de menina. O maior efeito do exercício foi fazer com que ela conseguisse vencer os degraus da escada e mais tarde subir no banquinho da cozinha e alcançar o armário. “Minha vida melhorou muito. Não podia nem mexer os dedos da mãos, não levantava a perna e minha rinite alérgica acabou. Meu médico e meu marido me incentivaram e estou aqui há quase três anos”, conta.

Fonte: Correio Braziliense